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Por Claudio Colombo
Os Estados Unidos e grande parte do mundo são cativados anualmente pelo Super Bowl, a final do futebol americano. Este evento é tão importante que os shows do intervalo frequentemente contam com apresentações de alguns dos maiores artistas do planeta, como Gloria Estefan, Madonna, Beyoncé, Bruno Mars, Coldplay e uma longa lista de outras estrelas que faturam fortunas.
Para entender o fenômeno, basta olhar para o orçamento de publicidade do programa, que este ano chegou perto de US$ 300.000 por segundo... Absolutamente insano! Nesse cenário impressionante e multimilionário, o cantor principal era o recente vencedor do Grammy, Benito Antonio Martínez Ocasio, mais conhecido como Bad Bunny (Colho Mau), o "Rei do Pop" porto-riquenho.
A apresentação, que contou com grandes nomes do entretenimento como Karol G, Pedro Pascal, Ricky Martin e Lady Gaga, teve uma mensagem política clara e impactante, centrada na defesa dos direitos dos imigrantes latinos nos Estados Unidos, que estão sendo atacados, presos e deportados pelas gangues de Donald Trump.
Tanto Bad Bunny quanto a maioria das estrelas homenageadas horas antes no Grammy Awards desfilaram no tapete vermelho deste outro grande festival, exibindo broches com slogans contra o ICE, a agência de imigração. Vários também subiram ao palco para criticar o presidente e suas políticas contra a comunidade latina.
A reação foi imediata. Trump condenou o programa como “imoral” e pela dança sensual “na frente de crianças”, confirmando que a mensagem havia causado ofensa. Essa queixa moralista pareceu profundamente inconsistente quando comparada a vídeos públicos nos quais o próprio Trump aparecia fazendo gestos sexualizados em eventos e programas de televisão — até mesmo em ambientes familiares — e aos seus laços sociais documentados com Jeffrey Epstein, com quem compartilhou eventos e fotografias por anos. (La Izquierda Diario, 8 de fevereiro)
O momento mais emocionante do show do intervalo do Super Bowl foi quando um garotinho apareceu assistindo ao Grammy na TV, justamente quando Bad Bunny gritou "ICE fora!". Tudo isso aconteceu em meio a protestos massivos contra as políticas de imigração e mais derrotas eleitorais para o Partido Republicano, a mais recente em um de seus redutos, a Louisiana.
Nas eleições realizadas no último sábado na Louisiana, a candidata democrata Chasity Martinez obteve 62% dos votos contra 38% de seu oponente republicano, em um distrito onde Trump havia vencido com folga a eleição presidencial de 2024. Essa derrota para o partido governista, a sétima consecutiva, acende o alerta na Casa Branca, que em breve terá que enfrentar as estratégicas eleições de meio de mandato. (Clarín, 8 de fevereiro)
Trump já sofreu nove derrotas desde que retornou à Casa Branca: recentemente perdeu as eleições para governador na Virgínia e em Nova Jersey, bem como as eleições para prefeito em Miami e Nova York. Os democratas também venceram eleições suplementares em Kentucky, Iowa e Texas. Essas derrotas se somam aos resultados de novembro passado em Nova Jersey e Virgínia, onde os democratas conquistaram mais 18 cadeiras. (La Izquierda Diario, 8 de fevereiro)
Uma derrota em novembro, nas eleições para o Congresso, seria um golpe tremendo para as políticas anti-operárias e anti-populares de Donald Trump, não porque os democratas venceriam — eles não têm nada melhor a oferecer ao povo do que os republicanos — mas porque enfraqueceria o partido governante e encorajaria o movimento de massas, que já está ganhando força.
A grande luta contra o ICE teve repercussões "artísticas" no Super Bowl e na cerimônia do Grammy, incentivando grande parte da comunidade artística e cultural a se juntar ao processo fenomenal e combativo de defesa dos direitos democráticos, uma vitória decisiva para os trabalhadores que foram às ruas em Minneapolis e outros estados.
Desde semicolônias como a Argentina, devemos nos solidarizar ativamente com essas mobilizações e aproveitar esta oportunidade para lutar com mais afinco do que nunca contra a dominação do imperialismo ianque e das potências que buscam ocupar seu lugar no atual processo de recolonização do país e de todo o continente. Como sempre, e agora mais do que nunca, não haverá saída para o nosso povo sem romper as correntes da dependência!

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