quarta-feira, 19 de novembro de 2014

OPOSIÇÃO DE DIREITA AMEAÇA COM UM GOLPE DE ESTADO



 OPOSIÇÃO DE DIREITA AMEAÇA COM UM GOLPE DE ESTADO

Corrente Comunista Revolucionária (RCIT Brasil), 18.11.2014, www.elmundosocialista.blogspot.com e www.thecommunists.net 

   No dia 13 de novembro o jornal Estadão publicou a notícia de que durante o processo eleitoral os delegados da polícia federal, que hoje estão à frente da operação lavajato contra a corrupção na Petrobrás, usaram as redes sociais durante a campanha eleitoral deste ano para elogiar o senador Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência, e atacar o ex-presidente Lula e sua sucessora, Dilma Rousseff, que disputava a reeleição. Entre outros adjetivos os delegados chamaram a presidente de “anta” ao mesmo tempo em que declaravam que “o comunismo e o socialismo são um grande mal que ameaça a sociedade”.
  Esse fim de semana foi marcado pela polícia federal efetuando prisões de empresários de grandes e poderosas empreiteiras, grandes financiadoras eleitorais. Uma mensagem clara está sendo enviada à esse setor da burguesia: “Parem de financiar as campanhas eleitorais do PT!”.  
  O PMDB principal aliado do governo Dilma colocou como candidato favorito à presidência da câmara, o deputado Eduardo Cunham numa clara demonstração de que prepara uma possível traição e rompimento com a Frente Popular que governa o país desde 2003. O cargo de presidente da câmara poderá garantir um eventual processo de impeachment da presidenta Dilma.
 O ministro da justiça, José Eduardo Cardozo (PT-SP), veio a público este fim de semana denunciado a oposição PSDB de usar as prisões para fina políticos, ou seja, um “terceiro turno”, um eufemismo para um claro “processo golpista”. Mas ao mesmo tempo fica claro que a máquina petista não controla nem o pseudo-aliado PMDB e muito menos a polícia federal.
 Dilma está em viagem à Austrália para o encontro do G-20 e bem que tentou não comentar o assunto, mas teve que ir à imprensa nacional para explicar que tudo será investigado, doa a quem doer, porém ela sabe que a dor será sentida principalmente pelo governo federal. Durante os anos de governo Lula ela foi responsável pela gerência de Petrobrás e criou fama de “competente”.
 Certa vez nos anos 50, o político golpista profissional de direita Carlos Lacerda, definiu muito bem sobre a possibilidade do ex-ditador Getúlio Vargas ganhar a eleição em 1950, “Não pode ser candidato, se for candidato não ganha, se ganhar não toma posse, se tomar posse será derrubado!”. O mesmo processo está em curso atualmente.
 Obviamente a burguesia, principalmente a financeira, ligada ao imperialismo EUA-Europa, sente que não é mais possível aceitar o PT no governo depois de 12 anos.  O governo Lula-Dilma construiu nos últimos anos uma forte relação com o imperialismo chinês e russo. A China é o principal comprador do Brasil. Dilma declarou esse mesmo fim de semana em Brisbane-Austrália na reunião do G-20 que o Brasil é neutro na questão da Ucrânia, na prática dando o maior apoio brasileiro à Putin e ao imperialismo russo.
   Um impeachment de Dilma faria o PMDB, através do vice Michel Temer, assumir a presidência e tudo indica que a política pró China e Rússia hoje estará encerrada. Todo esse processo golpista está sendo gerenciado direto pelo imperialismo ocidental, os Estados Unidos à frente.
 Neste último fim de semana, pela segunda vez, uma manifestação com dez mil pessoas em São Paulo, de acordo com a imprensa, contra a eleição de Dilma contava com elemento da extrema-direita convocando a volta dos militares.
 São poucas as chances de um golpe militar no estilo anos 60-70, porém tudo leva aponta para a construção de um golpe parlamentar no estilo Honduras e Paraguai. Um golpe de direita No principal país da América Latina terá um efeito profundo nos governos da região, com especial ênfase na Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina.

   Em caso de um golpe de Estado O CCR e A Corrente Comunista Revolucionária Internacional- RCIT terá a mesma posição, como fizeram em casos semelhantes, como os golpes em Honduras (2009), Paraguai (2012). Vamos nos opor a esse golpe e defender o governo contra qualquer tentativa de setores da classe dominante em enfraquecer   ou abolir a democracia burguesa. Mas defendemos a democracia contra um golpe de Estado, não por meio de manobras de bastidores dos líderes reformistas, mas por meio da luta de classes. Por isso chamamos os trabalhadores e os movimentos populares - o PT, CUT, MST, etc. - para mobilizar nas ruas contra o perigo do golpe. É um absurdo que o PT esteja na frente popular, ainda mais agora, quando o PMDB já está abandonando-o. Os militantes de base dos trabalhadores do PT e da CUT devem forçar a liderança a quebrar toda a associação com o PMDB e os outros aliados burgueses e mobilizar para a expropriação de grandes negócios, da mídia, dos bancos, etc, sob o controle dos trabalhadores. É igualmente urgente formar e unidades de autodefesa dos trabalhadores e dos   pobres, a fim de lutar contra os golpistas!
   Este é o método marxista da frente única que busca ações práticas conjuntas com o movimento operário reformista contra os ataques capitalistas, a fim de acabar com a frente popular. Ele está em clara oposição ao método deteriorado de frente-popular do jeito que é praticado por vários grupos e partidos esquerdistas, tais como o PSOL (de forma implícita) ou a LC-Liga Comunista (abertamente). Estes setores centristas nas recentes eleições presidenciais chamaram pelo voto a frente popular de PT-Dilma / PMDB-Temer - ou seja, eles apoiaram o mesmo PMDB que agora está envolvido nas ameaças de golpe de Estado! Lenin e Trotsky sempre recusaram a qualquer apoio eleitoral para as frentes populares e isto ainda é correto hoje, como os acontecimentos recentes demonstram.
   É urgente a necessidade de construir um partido revolucionário que recusa qualquer apoio a frentes populares e que, ao mesmo tempo desenvolve uma abordagem frontal não-sectária, unidos com os trabalhadores reformistas que em sua maioria ainda estão alinhados com o PT. A CCR está empenhada em construir um tal partido.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CONFERÊNCIA DE FUNDAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO RESISTÊNCIA VERMELHA-AÚSTRIA


original em inglês no link abaixo:
http://www.thecommunists.net/rcit/austria-roter-widerstand/



Áustria:  Conferência fundação  de uma nova Organização de Trabalhadores
Relatório (com fotos e vídeos) da Organização para a Libertação Revolucionária Comunista –RKOB-(Seção austríaca do RCIT), 2014/11/11, www.thecommunists.net e www.rkob.net

Em 09 de novembro de 35 ativistas se reuniram no centro vienense da seção austríaca da Corrente Comunista Revolucionária Internacional- RCIT , para fundar uma nova organização dos trabalhadores chamada ROTER WIDERSTAND (que significa RESISTÊNCIA VERMELHA no idioma alemão). A conferência discutiu e aprovou uma declaração  de fundação e elegeu uma liderança.
A conferência foi moderada por Johannes Wiener e Marko Nikolić. Marko Nikolić,  É um imigrante sérvio, era um membro da juventude social-democrata por muitos anos e recentemente se juntou ao RKOB. (1). Foram saudados   por Michael Pröbsting, Secretário Internacional da RCIT, assim como Marc Hangler, porta-voz da organização juvenil RED * REVOLUTION. Após a conferência, os ativistas realizaram um breve comício numa praça populosa onde Nina Gunić e  Johannes Wiener fizeram dois discursos.
A organização RESISTÊNCIA VERMELHA foi fundada como resultado da iniciativa conjunta da seção austríaca do  RCIT  e um grupo de ativistas vindos do maior e mais proletário ramo da juventude social-democrata, em Viena. Esses ativistas ficaram desiludidos com a política de classe completamente reformista e anti-operária da social-democracia e do ambiente burocrático e corrupto de sua ex-organização juvenil.
Nas semanas antes da conferência de fundação  oficial, ativistas discutiram e aprovaram uma declaração de princípios, bem como declarações sobre o fascismo e os conflitos de negociação coletiva dos trabalhadores metalúrgicos. (2)
RESISTÊNCIA VERMELHA é - como RED * REVOLUÇÃO - afiliada à seção austríaca do  RCIT  e defende  princípios revolucionários. Quase todos os seus membros são trabalhadores e tem um fundo muito multi-nacional com ativistas vindos de Áustria, Sérvia, Bósnia, Polónia, Roménia, Turquia, Hungria e Alemanha.
Nos próximos meses a RESISTÊNCIA VERMELHA participará juntamente com a RED * REVOLUTION e a seção austríaca-RKOB  de lutas contra ataques sociais e contra o  racismo.
Nós estamos felizes em conseguir dar  um segundo passo em frente na construção de uma forte organização revolucionária nos últimos 12 meses. Após as greves de estudantes  em Dezembro de 2013 contra os ataques à educação em  a nossa organização de jovens experimentaram um avanço, tanto em número e como em experiência, a fundação da organização  RESISTÊNCIA VERMELHA  representa mais um importante sucesso captar (principalmente jovens) trabalhadores à causa do comunismo revolucionário.
 Photos and videos of the conference as well as the rally can be viewed/ fotos e vídeos da conferência assim como a passeata podem ser vistos em:
 http://www.roter-widerstand.net/multimedia/gruendung-09-11-2014/.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

RESUMO- CUBA VENDIDA?



Neste resumo, queremos apresentar uma série de teses dos principais elementos de análise da RCIT sobre a Revolução Cubana, sua expropriação política pela burocracia castrista-stalinista e a contra-revolução capitalista nos últimos anos.


1.      A Revolução Cubana em 1959-1961 foi um evento importante no século 20. Não foi simplesmente um golpe praticado por um pequeno grupo de guerrilheiros armados. Realizou-se no contexto de enormes lutas de operários e camponeses que envolveu centenas de milhares e milhões desses setores. Uma vez que nenhum partido operário revolucionário existia, a revolução foi liderada pelo movimento guerrilheiro pequeno-burguês castrista M-26-7 que defendia um programa de reforma burguesa, mas não defendia nenhuma revolução socialista. Nem a liderança do PSP stalinista buscava tal revolução.
2.       A Revolução Cubana logo conheceu a hostilidade e a subversão por parte do imperialismo norte-americano. A pressão da contra-revolução, por um lado, e da luta doméstica, por outro lado pressionou a burocracia castrista. Sua única possibilidade i) para manter o poder e privilégios, ii) para acomodar a pressão das massas, mas ao mesmo tempo controlá-las e iii) para suportar as agressões do imperialismo norte-americano, era transformar Cuba burocraticamente em um Estado operário degenerado e fazer do país um aliado próximo da burocracia stalinista da URSS. Daí a burocracia castrista foi forçada a expropriar a burguesia externa e internamente, para oprimir a atividade da classe trabalhadora independente e aliar-se com a União Soviética em 1960/61. Neste processo, o castrista M-26-7, bem como a direção stalinista do PSP decidiram unir forças e formar o PCC (em que a liderança Castrista teve o domínio).
3.      Cuba, portanto, nunca foi um "país socialista". Enquanto permaneceu inicialmente um país capitalista após a derrubada de Batista (embora com uma classe trabalhadora altamente mobilizada e uma burguesia débil), tornou-se um Estado operário degenerado, quando o governo castrista foi transformado em um governo anti-capitalista burocrático e tomou medidas decisivas para nacionalizar e planejar a economia, enquanto politicamente expropriava a classe trabalhadora no verão de 1960.
4.      Apesar de sua degeneração burocrática, a Revolução Cubana forneceu às massas trabalhadoras uma série de conquistas sociais concretas: os salários subiram, os camponeses tiveram acesso à terra, um sistema de saúde altamente desenvolvido excepcional foi criado regionalmente, bem como benefícios sociais, uma baixa idade para a aposentadoria, um de alto nível regional de participação das mulheres no processo de trabalho, o direito ao aborto, etc.
5.      No entanto, devido à falha no avanço da revolução para o continente latino-americano e a dominação burocrática interna, as massas cubanas tornaram-se cada vez mais passivas e cínicas em relação ao regime. O regime também não conseguiu construir uma indústria diversificada, de modo que a economia manteve-se dependente da produção e de exportação de açúcar.
6.      Nós trotskistas lutamos por um programa de revolução política, enquanto Cuba permaneceu um Estado operário degenerado (de 1960 até 2010/11). Chamamos pela defesa do sistema de planejamento e das relações de propriedade proletárias contra qualquer passo para a restauração capitalista. Ao mesmo tempo, chamamos para a abolição dos privilégios da burocracia, bem como o controle sobre a economia e a sociedade. Tal programa também incluiu o chamado para trabalhar a independência de classe (direito dos trabalhadores à greve, comitês de ação nos locais de trabalho, sindicato independente, o direito à formação de partidos, etc.). Uma revolução política bem-sucedida exige a formação de conselhos de ação (sovietes) e milícias populares armadas para organizar uma insurreição armada, a fim de destruir o aparelho de Estado stalinista-aburguesado e substituí-lo com um saudável estado de, ou seja, uma ditadura do proletariado, tal como existia na jovem União Soviética nos tempos de Lênin e Trotsky. Tal estado operário revolucionário teria se esforçado para internacionalizar a revolução na América Latina e em todo o mundo. Tal perspectiva, porém, não se concretizou devido à ausência de um partido operário revolucionário uma Internacional operária revolucionária.
7.      A economia cubana altamente burocratizada e dependente entrou numa crise profunda, com o colapso da URSS em 1989-91. Desde então, o regime castrista tem cada vez mais - embora com ziguezagues – se voltados para as reformas pró-mercado. O modelo stalinista cubano estava em um beco-sem-saída.
8.      O modelo de restauração capitalista bem-sucedida e uma economia em crescimento na China, sem perda de poder da burocracia stalinista convenceu a liderança castrista que havia uma saída para eles. Por isso, ela virou-se decisivamente para a restauração do capitalismo. Isto por sua vez, foi expresso pelo anúncio de uma série de medidas pró-capitalistas drásticas no outono de 2010 e na primavera de 20011 (em torno do VI Congresso do PCC). O Castrismo havia retornado às suas raízes burguesas.
9.      Demissões em massa nas empresas estatais e a introdução da lei do valor: Em 2011 e 2012, entre 360.000 e 500.000 trabalhadores foram demitidos das empresas estatais. O governo Castro deseja a demissão de um milhão de trabalhadores em 2016 - um quinto do total da força de trabalho do país!
10.  Enorme impulso de um setor capitalista privado e a promoção da formação de uma classe capitalista nacional de proprietários privados: o setor capitalista privado já cresceu maciçamente. O governo anunciou a redução da participação do Estado no PIB de originalmente 95% para cerca de 40% até 2017.
11.  Corte dos benefícios sociais, a fim de criar um exército industrial de reserva de mão de obra e, portanto, uma classe trabalhadora melhor explorável: O regime de Castro terminou a prática de pagar 60% do salário dos trabalhadores demitidos de seus empregos. Além disso, aumentou a idade de aposentadoria em cinco anos para ambos os sexos, elevando-o para 60 anos para mulheres e 65 para os homens. Além disso, o número de produtos vendidos a preços subsidiados foi reduzido, ou os montantes disponibilizados substancialmente reduzidos.
12.  A abertura da economia para o capital imperialista e, em especial, para os monopólios da China: O Investimento Direto Estrangeiro aumentou substancialmente nos últimos anos até US $ 3,5 bilhões. A maior parte deste investimento está concentrada em alguns grandes projetos como a exploração de petróleo. Cuba está cada vez mais dependente da China, que é um importante parceiro comercial, investidor estrangeiro e credor. Outro elemento-chave da transformação de Cuba em uma semi-colônia do imperialismo chinês é a criação do primeiro Plano Quinquenal para a cooperação sino-cubana em junho de 2011.
13.  Manter o regime autoritário do PCC stalinista: O Partido Comunista está determinado a manter a ditadura como o modelo chinês tem feito. Parte desse esforço de transformação do Estado-capitalista do país é a política do passado recente do regime de colocar os setores-chave da economia, sob o comando da burocracia do exército. De acordo com uma estimativa, o os militares controlam cerca de 60% da economia, através da gestão de centenas de empresas em setores-chave da economia.
14.  A transformação de Cuba de um estado operário degenerado em uma semi-colônia capitalista alterou as tarefas para a classe trabalhadora. Já não se trata mais de organizar uma revolução política, mas uma revolução social, a fim de derrubar o regime castrista e estabelecer um autêntico governo operário e camponês.
15.  Um programa deste tipo para a revolução social começa a partir da defesa das conquistas sociais existentes da Revolução e da oposição contra as medidas brutais de restauração capitalista: isto inclui a resistência contra as demissões em massa, contra a privatização de empresas estatais e cortes sociais, a defesa dos direitos das mulheres como o aborto, bem como a luta pelos direitos democráticos (direito de greve, da criação de sindicatos independentes, formação de novos partidos, etc.).
16.  Outro aspecto importante do programa revolucionário é a luta para defender Cuba contra a agressão permanente do imperialismo norte-americano, bem como contra a subordinação de Cuba ao imperialismo chinês.
17.  O programa para a revolução social deve chamar para a construção de conselhos de operários, camponeses pobres e de soldados e milícias armadas. Eles devem lutar por uma insurreição armada contra o regime castrista-capitalista e para o estabelecimento de um governo dos trabalhadores e dos camponeses pobres com base em tais conselhos e das milícias. O Estado operário cubano vitorioso iria se esforçar para internacionalizar a revolução na América Latina e além.
18.  O sucesso da revolução socialista exige a rápida formação de um partido revolucionário, como parte da Quinta Internacional dos Trabalhadores. A Corrente Comunista Revolucionária Internacional (RCIT) fará o seu melhor para apoiar a formação de um núcleo revolucionário em Cuba.