sexta-feira, 20 de maio de 2016

O BRASIL APÓS O IMPEACHMENT DO GOVERNO DE FRENTE POPULAR DO PT




 
O BRASIL APÓS O IMPEACHMENT DO GOVERNO DE FRENTE POPULAR DO PT
POR UMA GREVE GERAL PARA DERRUBAR O GOVERNO DOS GOLPISTAS!

Depois de um debate de 20 horas em Brasília, capital do Brasil, o Senado brasileiro, em 12 de maio de 2016, votou a favor de continuar processo de impeachment contra a presidente Dilma Vana Rousseff, dessa forma suspendendo-a do cargo por até 180 dias. Uma maioria simples de 55 votos a favor, um a mais do que o necessário. Foi o suficiente para iniciar o julgamento da presidente pertencente ao Partido dos Trabalhadores. 
É muito provável que o senado liderado pelas forças conservadoras não espere 180 dias para oficialmente e efetivamente colocar um fim a mais de 13 anos de governo do PT. No seu lugar tomou posse o vice-presidente Michel Temer-PMDB, para liderar um governo de direita muito mais afinado com o governo americano e a União Europeia. Esse é um governo que vai redobrar os ataques aos padrões de vida e direitos básicos dos trabalhadores brasileiros.
Em todos os sentidos o processo foi um verdadeiro golpe, mas não no estilo de golpe militar dos anos 70 na America Latina. Foi um golpe travestido de suposta legalidade constitucional, como aconteceu em recentemente em Honduras e Paraguai, incentivado pelos setores mais reacionários e conservadores do Brasil: a burguesia financeira e industrial liderada pela FIESP-Federação da Indústria do Estado de São Paulo, os grandes latifundiários exportadores de commodities, um amplo setor de líderes evangélicos religiosos conservadores com suas pautas igualmente conservadoras (contra o direito ao aborto, contra os direitos LGBT, etc.), Opus Dei,  e também a denominada bancada da bala (deputados defensores  da pena de morte e diminuição para 16 anos da penalidade criminal, criminalização dos movimentos sociais, etc). O judiciário através do juiz Sergio Moro (nosso Joseph McCarthy) com suas denúncias e prisões “contra a corrupção” tendo somente um alvo, o Partido dos Trabalhadores, deu uma aparência de legalidade, tendo como avalista um Supremo Tribunal altamente politizado à direita. Papel fundamental no processo golpista teve a poderosa Organizações Globo (tevê, Jornais, rádios) que exerce no Brasil um verdadeiro monopólio de comunicação de massa. Foi a Globo que liderou junto com as outras redes de televisão desde a tomada de posse de Dilma Rousseff um bombardeio midiático com o objetivo de manipular corações e mentes da população contra o PT e contra o governo de Frente Popular. Os setores politicamente mais atrasados da classe média incentivados e sob orientação das Organizações Globo aderiram em peso indo às ruas em grandes manifestações. O caráter de classe dos organizadores do golpe e dessa classe média idiotizada era muito evidente nas imagens: majoritariamente uma elite  branca, grandes e  pequenos empresários, profissionais liberais,  maçons, presença da organização religiosa de extrema direita denominada Tradição Família e Propriedade-TFP, skinheads, militares e simpatizantes da volta do regime militar liderados pelo deputado fascista Jair Bolsonaro, que em plena votação pelo impeachment da câmara defendeu a tortura e fez homenagem aos torturadores, e igualmente famoso pela sua defesa do racismo, da misoginia, da homofobia, etc.
Esse show de horrores ficou demonstrado no dia 17 de abril de 2016 quando da votação do impeachment na câmara dos deputados federais, em que os parlamentares se expuseram ao ridículo em nível mundial conforme nosso último artigo sobre o Brazil.1

O que foi o PT em 13 anos de governo de Frente Popular
Não há como negar que ao lado de alguns avanços sociais o Partido dos Trabalhadores-PT com Lula da Silva e Dilma Rousseff como governos de Frente Popular trabalharam em conjunto com a burguesia e fizeram políticas econômicas para a burguesia, como por exemplo a reforma da previdência de Lula em 2003, um conjunto de privatizações que alcançou estradas  federais e aeroportos, subsídios aos latifúndio e às grandes corporações multinacionais, não fez a reforma agrária, controlou as lutas do movimento operário através de sua Central Sindical, a CUT,  e recentemente ajudou a aprovar a lei antiterrorismo, supostamente para  se prevenir  contra ataques durante as próximas olimpíadas que acontecerão no Brasil, mas que na prática ajudará o seu sucessor Michel Temer a reprimir duramente as futuras lutas contra o golpe, as greves, as manifestações dos movimentos sociais e partidos progressistas, etc. Na política externa, ao mesmo tempo em que os governos Lula e Dilma se aproximaram dos BRICs e do bolivarianismo, não hesitaram em enviar e manter tropas do Brasil no Haiti para conter, a mando do imperialismo americano, os trabalhadores haitianos.

Qual foi a política do CCR com relação ao governo de Lula-Dilma Rousseff
Coerente com a nossa caracterização do que era o governo de Frente Popular do PT apoiamos os protestos de massa no Brasil no verão 2013 contra o governo Rousseff. Na época nós declaramos, entre outras coisas: "A política dos governos Lula / Dilma Rousseff nos últimos 11 anos mostra uma vez mais que a burocracia o reformista do PT é lacaio da classe capitalista. Enquanto se fala a favor da justiça social e hospeda várias vezes o Fórum Social Mundial, ao mesmo tempo em que controla as lideranças da maioria dos sindicatos, serve, na realidade, à classe dominante e atua como seu agente nas fileiras do movimento operário. Já é tempo, que os trabalhadores urbanos e rurais e suas organizações romperem com os líderes burocráticos reformistas e formar um novo partido da classe operária que – em oposição ao PT hoje – que seja independente da burguesia e que se baseie em um programa revolucionário.2

Por que é que os Estados Unidos e Europa querem se livrar dos governos de base social popular na América Latina?
Por que é que os Estados Unidos e a grande burguesia brasileira querem se livrar dos governos de base social popular no Brasil, Venezuela, Equador, Bolívia, etc.? Porque o capitalismo enfrenta sua crise mais profunda e, portanto, a burguesia é forçada a atacar todas as conquistas sociais. A burguesia está desesperada para privatizar empresas estatais, para abolir os subsídios sociais para os pobres. Os governos com forte base social ou de Frente Popular estão preparados para a se aliar à burguesia, mas eles têm certas limitações. A principal limitação para este alojamento é a sua própria base social, ou seja, a classe trabalhadora, os movimentos sociais, os camponeses pobres, os sindicatos, a periferia urbana, etc. Daí os ataques ofensivos neoliberais são diretamente contra sua base social. Naturalmente isso provoca divisões dentro da frente popular.



O Brasil como parte da disputa Geopolítica Internacional e o papel Rússia e China

Como já declaramos em documentos anteriores o principal interesse em derrubar o governo de frente popular do Brasil tem como origem o imperialismo americano e europeu em oposição as potências imperialistas de Rússia e China. Além disso é importante para o imperialismo ocidental esmagar a aliança dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia China e África do Sul), assim como enfraquecer os governos populistas bolivarianos da America Latina. Os golpes que derrubaram o presidente de Honduras em 2009, Manuel Zelaya, do Paraguai em 2012 Fernando Lugo, as constantes pressões da extrema direita em Venezuela, que inclusive tentou um malogrado golpe de estado em 2002, a pressão sobre o Equador, Bolívia, e Argentina dos Kirchner demonstram claramente que o que está em jogo é algo muito maior do que a simples luta contra a corrupção. A interferência do imperialismo ocidental para enfrentar a influência dos também estados imperialistas de Rússia e China fica evidente não só na América Latina como no África, Oriente Médio e Ásia. Os golpes militares no Egito em 2013 que derrubou o presidente Mursi sob o comando do general al-Sisi, a ditadura militar instalada em 2010 na Tailândia, e finalmente a formação do governo semifascista da Ucrânia a partir de 2013 são parte deste processo.

Como se comportaram os partidos de esquerda no Brasil

Além de nós do CCR, com raras exceções como o Partido da Causa Operária-PCO, a Frente Comunista de Trabalhadores-FCT e a FT-VP, as correntes e partidos de esquerda, inclusive trotskistas, em sua maioria, defenderam o golpe. Na opinião deles era “Que se vayan todos”, “São todos corruptos”! Dessa forma fazem respectivamente uma análise somente do ponto de vista nacional ao ignorar a geopolítica internacional (ou seja, a disputa dos imperialismos de EUA e EU contra Rússia e China) e capitulam à discussão da pequena burguesia e da mídia ao se referir à corrupção, mas qualquer marxista sabe que a corrupção faz parte do DNA do sistema capitalista. Incluem-se nessa lista de apoiadores do golpe: A LIT através do seu maior partido o PSTU, amplos setores do PSOL liderados pela ex-candidata a presidente Luciana Genro,  a seção brasileira do Comitê por uma Internacional de Trabalhadores-CIT(CWI) denominada LSR, a seção brasileira do Partido Obrero Revolucionário-POR,   estalinista  Partido Comunista Brasileiro-PCB, o Movimento Revolucionário dos Trabalhadores-MRT (antiga LER, uma ruptura do PSTU), etc. Eles todos alegaram que não houve golpe, foi uma simples disputa Inter-burguesa, mas na verdade ao fazer capitularam vergonhosamente aos golpistas ou por oportunismo  ao desejarem ilusoriamente  tomar o lugar do PT junto ao movimento de massas ou pela incapacidade de fazer uma análise verdadeiramente marxista de todo esse processo.







As primeiras medidas do governo golpista de Michel Temer

Em apenas 48 horas do novo governo golpista de Michel Temer já é possível saber o desastre que espera a classe trabalhadora: O Nome do novo presidente do Banco Central é Ilan Goldfajn, economista-chefe e sócio do Itaú Unibanco, um dos dois maiores bancos privados do Brasil, o outro é o Banco Bradesco. Serviu no mesmo cargo no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de 1995 a 2003). Henrique Meirelles, ex CEO do banco de Boston e ex-presidente de Banco Central nos mandatos do ex-presidente Lula foi escolhido novamente como ministro da Fazenda (Na verdade, o ministério que comanda a economia), naquela época Lula teve ao escolher Meirelles teve intenção de garantir ao imperialismo americano o seu representante nesta posição importante, com Michel Temer agora não é diferente.


Os primeiros pronunciamentos do governo Temer já apontam para as chamadas reformas estruturais, ou seja: Reforma da Previdência, reforma trabalhista, ampliação das privatizações, reforma do financiamento da educação da saúde, redução do programas sociais (bolsa família, Prouni, minha casa minha vida, etc.), redução das verbas para universidades públicas, fim do controle da Petrobras sobre as jazidas do pré-sal, privatização dos dois únicos bancos estatais que ainda restam (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal). A pior notícia para os mais miseráveis é a de que o salário mínimo de 880 reais (equivalente a 245 dólares), que vinha sendo reajustado nos governos do PT com um índice um pouco acima da inflação oficial não terá mais reajuste de reposição nem da própria inflação. Basta lembrar que anteriormente o salário mínimo não passava de 100 dólares. Os mais pobres e miseráveis, aqueles que ainda não perceberam, não terão dúvidas no futuro sobre como caracterizar o que aconteceu entre abril e maio: Um golpe de Estado voltado principalmente não contra o governo do PT, mas contra eles, os pobres e oprimidos.

O Começo Oficial do Fim das Políticas Sociais

Temer reduziu de 32 para 23 o número de ministérios. Como sinal dos novos tempos, foi extinto ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, que foi criado em final de 2015   a partir da unificação das secretarias de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, de Direitos Humanos, e de Políticas para as Mulheres, além disso promovia ações voltadas aos direitos da criança e do adolescente, do idoso e das minorias. Esse ministério promovia também a defesa dos direitos da cidadania das pessoas portadoras de deficiência, dos negros e das mulheres.

 O novo governo Temer também uniu o ministério da Previdência ao da Fazenda, sob o comando do sr. Henrique Meirelles mencionado acima, com o claro objetivo de transformar o sistema de aposentadoria em um assunto puramente econômico e dessa forma facilitar a aprovação da retirada de direitos para os trabalhadores conseguirem a aposentadoria: "A reforma da Previdência está assegurada. Nós levamos a Previdência para a Fazenda para que fosse olhada por olhos econômicos, como ajuste das contas públicas", afirmou o novo ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Uma das principais medidas relativas à previdência é a tentativa de estabelecer a idade mínima para obter o direito à aposentadoria, ou seja, se for aprovada, não importará se o trabalhador brasileiro começou a trabalhar aos 14 anos, como acontecia até poucos aos atrás, ele terá que obrigatoriamente se aposentar com a idade a ser estabelecida. Fala-se em 65 ou 70 anos de idade para homens e mulheres. Em um primeiro momento eles falam que tal medida será aplicada somente aos que vierem a ingressar no mercado de trabalho, mas evidentemente não podemos permitir tal proposta, pois fatalmente a lei será estendida para todos exceções, inclusive os funcionários públicos.

A repressão aos movimentos sociais e aos partidos de esquerda

Uma má notícia para os movimentos sociais é a escolha como ministro da Justiça de Alexandre de Moraes, ex-Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, que estava no comando do "famosa" Polícia Militar que, de acordo com um relatório Anistia Internacional é a que mata mais pessoas por ano do que todos os departamentos de polícia dos EUA combinados. Recentemente, Alexandre Moraes reprimiu duramente o movimento das escolas de ocupação pelos alunos no ano passado contra o encerramento de escolas. Ele fez uma declaração que os movimentos que foram fechar as estradas nas ruas das cidades em favor da Rousseff no dia da votação no senado eram ação organizadas de “guerrilhas" e deveriam ser tratar como como tal. Isto mostra exatamente como serão tratadas as greves, as ocupações de terra, a ocupação das rodovias e das ruas das grandes cidades, o movimento de sem-teto, os partidos de esquerda, etc.
Essa política de repressão que se aponta para o que será no futuro próximo no governo golpista de Michel Temer é coerente com a política de redução das políticas sociais e dos direitos democráticos, pois ao contribuir para aumentar a pobreza e a miséria será necessário aumentar o investimento em segurança (da burguesia) e assim aumentar consideravelmente a repressão aos trabalhadores e oprimidos.

Como reagem os movimentos sociais e de resistência

A CUT em seu website diz que não reconhece o governo Temer e o condena como ilegítimo, por desrespeitar a vontade da maioria dos cidadãos brasileiros que elegeu a Presidenta Dilma com 54 milhões de votos em 2014, portanto é o único governo eleito e legítimo. Diz também que Junto à Frente Brasil Popular-FBP e pela Frente Povo Sem Medo-FPSM 3, “resistirá a toda e qualquer iniciativa de criminalizar os movimentos sociais, de retirar direitos dos trabalhadores. Combaterá medidas já anunciadas visando precarizar as relações de trabalho, diminuir o investimento nas políticas sociais, arrochar os salários, acabar com a política de valorização do salário mínimo, privatizar estatais e anular despesas constitucionais obrigatórias com saúde e educação, piorando a qualidade das políticas públicas. ” 4


A posição da Corrente Comunista Revolucionária-CCR

Para nós do CCR está muito claro que o maior culpado por tudo que está ocorrendo foi devido à desastrosa política de vários anos do Partido dos Trabalhadores-PT e de suas correntes sindicais (CUT) e lideranças do movimento de massas sob seu controle como o MST ao fazer alianças com a burguesia para alcançar o poder. A verdade é que o PT desde o seu surgimento como partido de massas em 1980 nunca se posicionou como um partido socialista ou muito menos revolucionário. É um partido reformista, ou seja, nunca buscou a destruição do sistema capitalista, somente as reformas sociais para humanizar o capitalismo, e ao mesmo tempo controlar a resistência dos trabalhadores para melhor manter o seu controle.  Nesse sentido, ao conquistar primeiro os governos das prefeituras, depois dos estados e finalmente o governo nacional, dentro do sistema capitalista, não só se adaptou ao sistema, como inclusive se corrompeu e se igualou a qualquer partido da burguesia.
É necessário a criação de comitês de bairros e das fábricas para lutar contra o golpe, organizar mobilizações de massa, organizar a greve geral contra as medidas de ataque do novo governo.
Por tudo isso, uma verdadeira resistência contra o golpe deve levar em consideração a necessidade de romper com essas velhas lideranças que nos levaram com suas políticas de conciliação com a burguesia ao atual desastre político que resultou num golpe de estado. É necessário a construção de um verdadeiro e revolucionário partido de trabalhadores controlado pelos próprios trabalhadores de base e pela juventude e não pelos burocratas.

* Por uma greve geral contra o regime dos golpistas! Por mobilizações de massa contra a ofensiva pró-austeridade da extrema-direita! Pela a criação de comitês de ação nas fábricas, sindicatos, bairros, favelas e regiões periféricas em defesa dos nossos direitos e contra o governo dos golpistas!
* Para uma conferência nacional de delegados de todas as organizações de massas anti-golpistas para discutir e adoptar um plano contra o novo regime!
* Chamar a Frente Brasil Popular-FBP e a Frente Povo Sem Medo-FPSM a organizar a luta contra o golpe! Pela criação de um movimento de massa unificado, unido, anti-Golpista! Nenhuma na liderança do PT, que é politicamente responsável pelo desastre! Por um novo e autêntico partido de trabalhadores!
* Para um governo da classe operária em aliança com os camponeses pobres urbanos e os sem-terra! Nós só podemos garantir o nosso futuro e nossos direitos se derrubarmos o capitalismo, a fonte de nossa miséria!
* Por um partido operário revolucionário- um novo partido mundial da revolução socialista!
A CCR - Corrente Comunista Revolucionária (Brasil Seção do RCIT) - é dedicada à construção de um autêntico partido revolucionário em todo o Brasil e América Latina. Esta é a única maneira de lutarmos consistentemente por nossos direitos!



3.A “Frente Povo Sem Medo”, reúne quase 30 movimentos representados em mais de 15 Estados, entre eles Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), Intersindical, Central do Trabalhador e Trabalhadora Brasileira (CTB), União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora (UNEAFRO), entre outros.




quinta-feira, 5 de maio de 2016

Parem o Processo Judicial por Defender a Solidariedade com a Palestina!

Parem o Processo Judicial por Defender a Solidariedade com a Palestina!
Uma chamada ao Estado austríaco para retirar as acusações contra Michael Pröbsting!


Introdução


O Estado austríaco está tentando processar ativistas pró-Palestina por causa de seus pontos de vista anti-sionistas. Em 20 de abril de 2016, a Agência Federal para a Proteção da Constituição e Contra-Terrorismo (a polícia política na Áustria) convocou Michael Pröbsting, Secretário Internacional da RCIT, para responder a acusações de "sedição" e "incitação à ação penal" (ponto 282 do Código austríaco Penal). Se condenado, Pröbsting pode pegar até um ano de prisão.

Michael Pröbsting é um ativista de longa data pela solidariedade com a Palestina, lugar o qual ele visitou duas vezes. (1) Por muitos anos ele tem colaborado com as comunidades de imigrantes árabes na Áustria e tem sido frequentemente convidado a fazer intervenções nas suas manifestações e reuniões.

As acusações contra Pröbsting são fundadas sobre uma frase de um discurso que fez meio ano atrás (!) em um comício fora da sede vienense das Nações Unidas. No final deste discurso, Pröbsting disse o seguinte: "Eu envio as minhas saudações a todos os palestinos corajosos que lutam pela sua liberdade e contra a ditadura de Israel. Com todos os nossos corações, vamos defender a Terceira Intifada até que o Estado de Israel seja abolido e todas as pessoas na Palestina possam viver juntas em paz. "(2)

Em seu interrogatório, Pröbsting repetiu o que tem afirmado repetidamente em público, em discursos e escritos por muitos anos: Ele suporta apoia a solução de um Estado único para a Palestina, o que significa que todos os refugiados da Palestina terão o direito de voltar para suas casas e que o estado de Israel deva ser substituído por um único estado do povo palestino e judeu. Quando a polícia perguntou se ele apoia ataques terroristas, ele respondeu que se opõe a ataques terroristas contra civis, mas ele apoia a resistência armada do povo palestino contra o exército de Israel.

O Ministério Público de Viena terá agora de decidir se leva adiante a queixa contra Pröbsting para realizar um julgamento.

Protestamos veementemente contra qualquer acusação judicial de Michael Pröbsting e rejeitamos inequivocamente a suposta natureza ilegal de seu ponto de vista sobre a solidariedade com o povo palestino e contra o Estado de Israel. É óbvio que essas acusações, trazidas à tona meio ano após o discurso incriminador, fazem parte de uma ofensiva política por parte de forças pró-israelenses. Da mesma forma, essas mesmas forças tentaram criar um escândalo quando outra organização convidou a combatente Palestina pela libertação Leila Khaled para uma reunião pública na Áustria.(3) Na Grã-Bretanha anti-sionistas estão atualmente sendo expulsos do Partido Trabalhista. (4) Nos Estados Unidos apoiadores da campanha BDS estão enfrentando numerosas pressões.

Rejeitamos a acusação caluniosa de ser o Anti-sionismo como uma "nova forma de anti-semitismo." Somos contra o Estado de Israel, não somos contra o povo judeu. Muito pelo contrário, nós compartilhamos nossas convicções Anti-sionistas não só com milhões de pessoas ao redor do mundo que apoiam a luta de libertação palestina, mas também com muitos judeus que se opõem ao sionismo ou por causa de argumentos políticos ou religiosos - incluindo os membros israelenses e judeus da seção RCIT em Israel/Palestina ocupada. (5)

Três anos atrás, Johannes Wiener, outro companheiro do RCIT, foi ameaçado com acusações similares por causa de um discurso que fez em um comício no qual expressou opiniões semelhantes às de Pröbsting. Naquela época, iniciou-se uma campanha de solidariedade e, como resultado, as acusações, que foram feitas sob pressão de uma organização pró-Israel na Áustria, foram finalmente canceladas. (6) Apelamos a todos os amigos da Luta de Libertação da Palestina, e todos os que defendem os direitos democráticos, a se juntar à nossa campanha de solidariedade, para assinar a seguinte declaração e enviá-lo para o Ministério da Justiça, na Áustria.



* * * * *



Declaração de Solidariedade

Parem o Processo Judicial por Defender a Solidariedade com a Palestina!

Apelamos ao Estado austríaco para retirar as acusações contra Michael Pröbsting!

Nós, abaixo assinados, estamos temos conhecimento de que Michael Pröbsting foi convocado para em 20 de Abril de 2016 comparecer perante Agência Federal para a Proteção da Constituição e Contra-Terrorismo devido a um discurso que fez em um comício meio ano atrás. Em seu discurso, Pröbsting disse: "Com todos os nossos corações, vamos defender a Terceira Intifada até que o Estado de Israel seja abolido e todas as pessoas na Palestina possam viver juntos em paz." Além disso, estamos cientes de que, se o Ministério Público decidir abrir um julgamento contra o senhor Pröbsting em que ele for condenado, poderá pegar até um ano de prisão. Independentemente das nossas perspectivas concretas sobre o futuro da luta do povo palestino pela sua libertação, nós nos opomos a qualquer acusação judicial contra Michael Pröbsting.



Por favor, envie esta carta curta por e-mail para o Ministério da Justiça austríaco: medienstelle.ressort@justiz.gv.at. Por favor, encaminhe este e-mail também para nós:rcit@thecommunists.net



Notas de rodapé:

(1) A Tendência Revolucionária Comunista Internacional (RCIT) é uma organização internacional com presença em 10 países. O URL do seu site é www.thecommunists.net e pode ser contatado pelo endereço  rcit@thecommunists.net.

(2) Este discurso foi proferido em um comício realizado em 16 de outubro de 2015 organizada pelos árabes ahwazi, uma minoria nacional oprimida que vivem no Irã. Michael Pröbsting foi convidado a participar do comício. Um breve relato desse evento com links para fotos e um vídeo de seu discurso (em alemão) pode ser visto em,http://www.thecommunists.net/rcit/solidarity-with-ahwazi-arabs/ .A frase incriminadora começa aos 04h00min minutos do clipe de vídeo.

(3) Ver, por exemplo, nesta Okaz: Stellungnahme des Österreichisch-Arabischen Kulturzentrums (okaz) zur Hetzkampagne gegen die Diskussionsveranstaltung mit Frau Leila Khaled, http://okaz.at/stellungnahme-des-oesterreichisch-arabischen-kulturzentrums-okaz-zur-hetzkampagne-gegen-die-diskussionsveranstaltung-mit-frau-leila-khaled/

(4) Ver, por exemplo, em RED LIBERATION:Derrotar o sionismo na Declaração do Partido Trabalhista, 30 de março de 2016,http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/zionism-labour-party/

(5) Ver sobre este inúmeros artigos em hebraico, língua árabe e Inglês no site da Liga Socialista Internacionalista, a seção do RCIT em Israel / Palestina Ocupada: http://the-isleague.com/

(6) Ver Por exemplo no site do RCIT: Vitória! A acusação contra o porta-voz do RKOB e ativista em solidariedade aos Palestinos Johannes Wiener foi derrubada! 2013/01/10,http://www.thecommunists.net/worldwide/africa-and-middle-east/solidarity-with-wiener-won/




domingo, 1 de maio de 2016

Is this the world’s most repulsive politician?

http://www.brasil247.com/pt/247/rio247/229276/Site-australiano-elege-Bolsonaro-como-o-pol%C3%ADtico-mais-repulsivo-do-mundo.htm


Brazilian congressman Jair Bolonsaro makes Donald Trump look tame by comparison. Credit: Agencia Brazil
LADIES and gentlemen, meet the Donald Trump of Brazil.
On second thought, that’s not really fair to Mr Trump. Next to Brazilian congressman Jair Bolsonaro’s comments, Donald Trump’s infamous “build a wall to keep Mexicans out” remark may as well have been trilled by the Von Trapp children over a merry string quartet.
There is a lengthy list of public remarks and cringe-worthy interviews to explain Bolsonaro’s notoriety.
The ultraconservative politician openly supports torture. He also takes a positive view on the brutal military dictatorship that ruled Brazil for more than two decades.
He has frequently made global headlines over disparaging remarks about black people, gay people and women.
Jair Bolsonaro’s blunt, right-wing remarks have earned him comparisons to U.S. Republican frontrunner Donald Trump.
Jair Bolsonaro’s blunt, right-wing remarks have earned him comparisons to U.S. Republican frontrunner Donald Trump.Source:AP
Like Trump, Bolsonaro is often criticised by the left-wing media, and like Trump, he takes this criticism with pride.
“This idea of oh poor little black person, oh poor little poor person, oh poor little woman, oh poor little indigenous person, everybody’s a poor little something!” he told Vice News. “I don’t try and please everybody.”
Also – like Trump – there’s a chance he could very well become the president of his country.
Sanders on why Trump won't win
BOLSONARO ON WOMEN
The media hype surrounding Bolsonaro peaked about a year and a half ago, after his crude comments made to female politician Maria do Rosario were televised.
Do Rosario had been protesting human rights violations committed during the military dictatorship Bolsonaro publicly supports – violations which included torture, rape and murder.
“Stay here, Maria do Rosario,” he said. “A few days ago you called me a rapist.
“And I said I wouldn’t rape you because you’re not worthy of it.”
Do Rosario was outraged, and immediately left the assembly. “I was attacked as a woman, as a Congress member, as a mother,” she said. “When I go home, I have to explain this to my daughter.”
She vowed that she would press criminal charges against him.
But Bolsonaro was completely unphased. He mocked her for leaving, saying she “ran out of here”.
He even uploaded the footage to Twitter to brag about the incident, which he described in the tweet as him “putting Do Rosario in her place”.


The pair had a similar confrontation in 2008, in which he called her a slut after she allegedly called him a rapist.
It should be noted that Members of Congress have parliamentary immunity in Brazil, meaning members on either side can say whatever they like without fear of persecution.
More recently, American actress Ellen Page interviewed Bolsonaro for herVICELAND documentary series Gaycation.
When Page – who happens to be gay – asked him whether he thought she should have been beaten as a child for her sexual orientation, he responded: “You’re very nice. If I were a cadet in the military academy and saw you on the street, I would whistle at you. All right? You’re very pretty.”
She stared at him blankly in response, and he gave no indication he believed he’d said anything wrong.
BOLSONARO ON BLACK PEOPLE
In 2011, Afro-Brazilian singer and actress Preta Gil asked him what he would do if his child fell in love with a black person.
He said he would “never allow this kind of promiscuity”, but added that his “children were very well-educated”, as if to suggest it would therefore not be an issue.
Gil threatened to sue him after the show. “I am a strong black woman,” she said. “I will take it to the end against this racist, homophobic, disgusting deputy.”
A legal investigation was launched, in which Bolsonaro claimed he didn’t understand the question. But things only got worse from there - he said his blunt answer was because he thought she was referring to gay people, not black people.
“If I were racist, I wouldn’t be so crazy as to declare it on television.”
A woman holds a sign reading ‘Black women march against racism, male chauvinism and the coup’ during a protest against conservative Brazilian politicians – including Jair Bolsonaro.
A woman holds a sign reading ‘Black women march against racism, male chauvinism and the coup’ during a protest against conservative Brazilian politicians – including Jair Bolsonaro.Source:AFP
BOLSONARO ON HOMOSEXUALS
Blatant homophobia is perhaps one of Bolsonaro’s most well-known traits internationally. He reflects and gives fuel to a sizeable number of his country’s religious conservatives and Neo-Nazi skinheads.
On the outside, Brazil may appear to totally embrace homosexuality. There is no law forbidding LGBT people from serving in the Brazilian Armed Forces, and their laws do not prohibit same-sex couples from adopting children.
It’s also home to some of the most sexually liberal parties on the planet, such as Carnivale.
Considering the country legalised same-sex marriage in 2013, you might even argue they’re more progressive with gay rights than Australia.
Judging by Brazil’s Carnivale party, you wouldn’t think it was a sexually restrictive country.
Judging by Brazil’s Carnivale party, you wouldn’t think it was a sexually restrictive country.Source:News Corp Australia
But Brazil is frequently rated as the country where the most gay people are killed.
According to the country’s largest and most active gay organisation, Grupo Gay da Bahia, a member of the Brazilian LGBT community is murdered every two days due to homophobia.
In fact, according to LGBTQ Nation, nearly half the world’s anti-LGBT violence occurs in Brazil.
Bolsonaro is publicly homophobic, and unapologetic for his views. In 2013, the government sought to pass a bill to outlaw homophobia and educate Brazilian youth on the damage it causes. Bolsonaro was determined to block the law, publicly campaigning against it.
In 2011, he said he would rather his son die in a car accident than be gay. He also said the presence of a gay couple at his house would cause the value of his house to depreciate.
There are even reports he has compared same-sex marriage to paedophilia, and encouraged the physical abuse of children believed to be gay.
In a 2013 interview with Stephen Fry for the BBC program Out There, Bolsonaro explained his beliefs, and addressed the suggestion his comments could be fuelling anti-gay violence across the country.
“There are groups that want to use (gay hate crimes) as an example. It might not even have anything to do with homosexuality,” he said.
“It is labelled as such by gay groups who want to make use of the incident, and create a public sob story.”
Bolsonaro outwardly denied that hate crimes committed against homosexuals are based on their sexual orientation, and – ironically – denied homophobia exists in Brazil.
He claimed 90 per cent of gay victims die “in places of drug use and prostitution, or are killed by their own partner.”
“I went into battle with the gays because the government proposed anti-homophobia for the junior grades,” said Bolsonaro. “That would actively stimulate homosexuality in children from six years old.
“They want to reach our children in order to turn the children into gay adults to satisfy their sexuality in the future. These are the fundamentalist homosexual groups that are trying to take over society.
“This is not normal.”
A gay pride march in Sao Paulo, Brazil.
A gay pride march in Sao Paulo, Brazil.Source:AP
He said Brazil was not ready to accept homosexuality as a social norm.
“No father would ever take pride in having a gay son. Pride? Happiness? Celebration if it turns out his son is gay? No way.”
Upon further questioning, he even compared his dislike for homosexuals to the public’s dislike of the Taliban.
Despite this, and despite openly saying “We Brazilian people don’t like homosexuals”, he insisted people are not hunted or persecuted for their sexual orientations in Brazil.
SO, COULD THIS MAN BE PRESIDENT?
Bolsonaro’s popularity is no doubt on the rise.
His Facebook page has just under three million Likes – about 700 million more than former President Luiz Inácio Lula da Silva.
Crowds flock to him to take selfies when he makes public appearances, and according to a Datafolha survey conducted earlier this month, his base of supporters has doubled since December.
Considering that in 2012, 77 per cent of the population supported the explicit criminalisation of homophobia, perhaps these results are not terribly surprising.
The greatest irony of all? Bolsonaro’s political group is called the ‘Progressive Party’.