sábado, 28 de novembro de 2020

Diante do brutal assassinato racista de Joao Alberto Freitas; Transformar a indignação em revolta popular!

 


English version:

https://www.thecommunists.net/worldwide/latin-america/brazil-brutal-racist-murder-of-joao-alberto-freitas/

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https://www.thecommunists.net/home/espa%C3%B1ol/brasil-brutal-asesinato-racista-de-joao-alberto-freitas/

 

Em 19 de novembro de 2020, um dia antes do feriado nacional denominado “dia da consciência negra”, João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de quarenta anos, foi assassinado por dois seguranças Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, respectivamente um ex-militar e um policial militar temporário, numa loja do hipermercado da rede francesa Carrefour no bairro na cidade de Porto Alegre, capital do rio grande do Sul. Ambos eram contratados da empresa privada terceirizada de segurança Vector, sendo que  Gaspar da Silva não tinha autorização para trabalhar como segurança.

Os dois seguranças conduziram o homem até o estacionamento da unidade e o espancaram brutalmente enquanto pessoas filmavam tranquilhamente, asfixiando-o por quatro minutos até a morte. Conforme testemunhas, João Alberto pedia por ajuda e suplicava avisando que não conseguia respirar. Os seguranças impediram que outras pessoas interviessem, mesmo com gritos de que estavam matando o homem. Um entregador que estava no local e filmou o homicídio relatou que os assassinos tentaram apagar o vídeo e o ameaçaram. Os seguranças foram presos preventivamente acusados por homicídio triplamente qualificado: por motivo fútil, por asfixia, e por utilizarem meio que impede defesa da vítima.

As impactantes cenas gravadas e a constatação da morte por asfixia imediatamente trouxe a memória do caso George Floyd nos EUA. A repercussão foi forte, não só pela selvageria , mas por ter acontecido na véspera do feriado do Dia da Consciência Negra.

O CEO global do Carrefour, o francês Alexandre Bompard, afirmou no dia seguinte à tragédia que “em primeiro lugar, gostaria de expressar meus profundos sentimentos, após a morte do senhor João Alberto Silveira Freitas. As imagens postadas nas redes sociais são insuportáveis (...) a nossa empresa não compactua com racismo e violência" e que pediu ao Grupo Carrefour Brasil que faça uma "revisão completa das ações de treinamento dos colaboradores e de terceiros.”

Nos dias seguintes até o final da semana muitas milhares de pessoas compareceram em frente das lojas Carrefour em várias capitais do país; São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Salvador, etc. Em São Paulo uma das lojas Carrefour foi parcialmente incendiada pelos manifestantes que gritavam a famosa palavra de ordem “vidas negras importam”.

Diante das várias  dos protestos se espalhando pelo país  o presidente Bolsonaro fez uma declaração  chamando  Manifestantes Contra o Racismo de "lixo”. Enquanto isso, o vice-presidente Hamilton Mourão fazia  a declaração  mais grotesca dizendo que “no Brasil não existe racismo.”

O Carrefour  é considerado a segunda maior empresa varejista do Brasil e a segunda a maior rede de atacado do país tem vínculos com o poderoso Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, que há quase uma década adquiriu 49% das ações do Carrefour Soluções Financeiras.

O senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, disse que convidou o Carrefour para uma reunião. Baseado numa lista feita pelo senador, o jornal   Estado de Minas juntou seis casos de racismo e situações extremas que Agosto aconteceram no Carrefour:

de 2020 em Recife, o corpo de um homem identificado como Moisés Santos, de 53 anos, foi coberto com guarda-sóis e cercado por caixas para que a loja continuasse em funcionamento. O corpo permaneceu no local, entre 8h e 12h, até ser retirado pelo Instituto Médico Legal (IML). Em setembro, no Rio de Janeiro, Nataly Ventura da Silva, 31 anos, foi surpreendida ao se deparar com a frase “só para branco usar” escrita em um avental assinado por um colaborador do Grupo Carrefour. Em 2019, a 5ª Vara do Trabalho de Osasco, São Paulo, identificou condições consideradas degradantes para os empregados da empresa. Isso porque o Carrefour estaria controlando a ida dos empregados ao banheiro. Em dezembro de 2018, um cão que estava no estacionamento de uma das lojas da empresa, em Osasco, morreu após ser envenenado e espancado por um funcionário. Em 2018, funcionários da empresa em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, agrediram Luís Carlos Gomes porque ele abriu uma lata de cerveja dentro da loja. Apesar do cliente reiterar que pagaria pelo item, ele foi perseguido pelo gerente da unidade e por um segurança e depois encurralado em um banheiro, onde recebeu um mata-leão.  Em 2009, seguranças da rede de hipermercados agrediram o vigia e técnico em eletrônica Januário Alves de Santana, de 39 anos, no estacionamento de uma unidade em Osasco. Ele teria sido confundido com um ladrão e foi acusado de roubar em que ele mesmo era o dono.”

Este assassinato não é episódico ou casual. Não existe capitalismo sem racismo, principalmente neste momento de profunda crise. Além disso, ao fazer inúmeros discursos e provocações racistas,  o presidente Bolsonaro é o principal incentivador da violência .

A extremamente conservadora e majoritariamente branca burguesia brasileira não tem o menor interesse de acabar com o racismo. É um processo histórico de 500 anos de exploração e opressão não somente com o povo negro, mas com os mestiços, indígenas e os milhões de brancos pobres. No fundo não é somente um problema de cor da pele, mas de classe social, é a luta  de classes. É o sistema capitalista que incorpora o racismo que resulta na superexploração do povos negros.

Nós da Corrente Comunista Revolucionária fazemos o chamado a uma forte mobilização do movimento de massas, dos trabalhadores organizados, dos sindicatos e partidos progressistas a apoiar a resistência do povo negro contra nosso racismo estrutural e opressão  histórica. Precisamos transformar nossa indignação em uma grande revolta popular!

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Abaixo a islamofobia na França: "Não somos Samuel!"

 

Por Yossi Schwartz, Corrente Comunista Revolucionária Internacional  (CCRI / RCIT), 20 de outubro de 2020, www.thecommunists.net

Samuel Paty foi morto na sexta-feira na França por um ato terrorista individual após mostrar charge do Profeta Maomé para seus alunos durante uma aula de educação cívica. Ele estava ciente de que, ao fazer isso, ofendia profundamente o sentimento religioso dos muçulmanos em um país onde é alta a islamofobia( ódio aos muçulmanos). Ele fez o que a revista Charlie Hebdo fez em 2015, quando esta revista de direita publicou charges do Profeta Maomé.

Seu assassino, o checheno Abdullakh Anzorov, 18, foi morto pela polícia a 600 metros da escola.

Nós, marxistas revolucionários, não apoiamos o método do terror individual, mas não vemos o fanático Samuel Paty como uma espécie de mártir inocente da liberdade de expressão.

A razão pela qual não apoiamos o terrorismo individual, mesmo contra um membro do governo capitalista dominante, muito menos um professor fanático, isso foi explicada há muito tempo por Trotsky.

Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência, as faz aceitar sua impotência e volta seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador que algum dia virá cumprir sua missão.Os profetas anarquistas da "propaganda pelos fatos" podem falar até pelos cotovelos sobre a influência estimulante que exercem os atos terroristas sobre as massas. As considerações teóricas e a experiência política demonstram o contrário. Quanto mais "efetivos" forem os atos terroristas, quanto maior for seu impacto, quanto mais se concentra a atenção das massas sobre eles, mais se reduz o interesse das massas por eles , mais se reduz o interesse das massas em organizar-se e educar-se. Porém a fumaça da explosão se dissipa, o pânico desaparece, um sucessor ocupa o lugar do ministro assassinado, a vida volta à sua velha rotina, a roda da exploração capitalista gira como antes: só a repressão policial se torna mais selvagem e aberta. O resultado é que o lugar das esperanças renovadas e da excitação artificialmente provocada vem a ser ocupado pela desilusão e a apatia.” (1)

 

O presidente Emmanuel Macron disse que o ataque teve todas as características de um "ataque terrorista islâmico". (2) Ele alegou que o professor foi assassinado porque "ele  ensinava à  liberdade de expressão". (3)

O governo francês, que usou o Covid-19 para suprimir os direitos sociais e democráticos, usou esse assassinato para se voltar contra a população muçulmana francesa como bode expiatório. Ele não apenas pediu a apoiar o que eles chamam de "liberdade de expressão" e homenagear o professor perto de Paris decapitado por mostrar charges do profeta do  Maomé do Islã, mas aderiu abertamente demonstrações em apoio a Samuel Paty. O primeiro-ministro francês, Jean Castex, juntou-se aos manifestantes no domingo que se reuniram por todo o país em homenagem a este fanático. Alguns manifestantes seguravam cartazes com os dizeres "Je suis Samuel" ( eu sou Manuel), que reproduziam "Je suis Charlie", após  o caso do jornal racista Charlie Hebdo. (4)

A polícia prendeu parentes de Abdullakh Anzorov e outros muçulmanos, incluindo um homem que pediu a demissão do professor por incitar ao ódio contra os muçulmanos.

O círculo político  está entre aqueles  últimos a falar em terrorismo. Durante a luta pela independência da Argélia, o exército francês matou mais de um milhão de argelinos, que foi um terrorismo de Estado.

Em 1920-21, o movimento anti-imperialista sírio lutou pela independência da Síria. No verão de 1921, o exército francês queimou aldeias onde o apoio aos rebeldes era forte.

No Vietnã, por meio de torturas, execuções e encarceramento, os franceses cometeram genocídio durante a Guerra da Indochina. Não há informações suficientes para sequer estimar quantos foram mortos. Podemos, no entanto, contar os vietnamitas mortos quando um cruzador pesado francês bombardeou as áreas civis de Haiphong e matou mais de 6.000 civis. "(5)

 

Quando os franceses colonizaram a região na virada do século 19, os muçulmanos tuaregues resistiram ferozmente, vencendo batalhas decisivas, mas no final tiveram que aceitar a superioridade do armamento francês. "(6)

Finalmente, em 3 de março de 1917, uma grande força francesa enviada de Zinder libertou a guarnição de Agadez e começou a tomar as cidades rebeldes. Represálias francesas em grande escala foram feitas contra essas cidades, particularmente contra os marabus locais, embora muitos não fossem tuaregues nem apoiassem a rebelião. As sumárias  execuções públicas feitas pelos franceses em Agadez e Ingal foram 130. "(7)

Em 2013, a França imperialista iniciou a ocupação do Mali. Já em 2013, o jornalista progressista Glenn Greenwald comentou no The Guardian sobre o terrorismo francês no Mali: “Os bombardeios ocidentais contra muçulmanos em outro país irão obviamente provocar ainda mais o sentimento antiocidental, o combustível do terrorismo. Conforme relata o Guardian, os caças franceses em Mali mataram pelo menos 11 civis, incluindo três crianças. A longa história da França no Mali apenas exacerba a raiva inevitável. "(8)

Desde então, podemos ler a intervalos de poucos dias que o exército francês matou, pelo que chamam de “um equívoco”, civis do Mali, incluindo crianças. No entanto, de acordo com o governo francês em típica hipocrisia imperialista, o exército francês está lutando contra terroristas muçulmanos. Na realidade, o exército francês está tentando reprimir  aqueles que se opõem ao controle francês do Mali.

Quanto ao direito à liberdade de expressão, embora apoiemos o direito à liberdade de expressão, esse direito é repetidamente usado pela mídia capitalista para distorcer a realidade. Existe um limite para isso. Não estamos defendendo o direito de expressar propaganda de ódio contra a classe trabalhadora e os oprimidos. Exigimos o esmagamento dos fascistas, ainda mais quando eles ainda são relativamente poucos. Aqueles que defendem insultar os profundos sentimentos religiosos dos muçulmanos devem dizer abertamente que apóiam o direito da propaganda nazista que usa caricaturas anti-semitas como a de Der Stuermer, que incita ao ódio contra os judeus. (9)

Na verdade, aqueles que dizem que Paty foi um grande defensor da liberdade de expressão, entendam ou não, estão defendendo o direito dos nazistas de publicar charges anti-judaicas.

Em Português:

1)Por que os Marxistas se Opõem ao Terrorismo Individual:

https://www.marxists.org/portugues/trotsky/1911/11/terrorismo.htm

Boicotem a França imperialista e islamofóbica!

https://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/boicotem-a-franca-imperialista-e-islamofobica/

O caráter racista do Charlie Hebdo e da campanha pró-imperialista "Je Suis Charlie"

https://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/racist-charlie-hebdo/

 

França após os ataques em Paris: defender os povos muçulmanos contra as guerras imperialistas, o ódio chauvinista e a repressão!

https://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/paris-attacks/

 

 

Em inglês:

2) https://www.bbc.co.uk/news/world-europe-54579403

3) Attaque d’enseignants de BBC France : Des rassemblements ont eu lieu en l’honneur de Samuel Paty décapité

4) Associated Press: Le Premier ministre français se joint à des manifestations de masse sur la décapitation de l’enseignant Samuel Paty Octobre 18 2020, https://apnews.com/article/lyon-toulouse-lille-paris-france-e19a06d2f534302992aca77e4c75f6ea

5) World History Biz: The Haiphong Incident, 14-06-2015

6) https://www.trtworld.com/opinion/france-s-neo-colonial-war-on-terror-in-mali-25757

7) https://en.wikipedia.org/wiki/Kaocen_revolt

8) Glenn Greenwald: Le bombardement du Mali met en lumière toutes les leçons de l’intervention occidentale, The Guardian, 14 janvier 2013, https://www.theguardian.com/commentisfree/2013/jan/14/mali-france-bombing-intervention-libya

9) https://research.calvin.edu/german-propaganda-archive/sturmer.htm

 

 

 

Áustria: O Estado Islâmico é a bala, mas Macron é o assassino político!


Ataque terrorista é o resultado inevitável de guerras imperialistas e opressão racista

Declaração de emergência da RKO LIBERATION (Seção Austríaca da CCRI / RCIT), 3 de novembro de 2020, www.thecommunists.net

De acordo com informações do Ministério do Interior austríaco, um apoiador do Daesh (o chamado "Estado Islâmico") realizou um ataque terrorista na noite passada no centro de Viena. Quatro pessoas morreram e 15 ficaram feridas antes de o agressor ser morto pela polícia.

2. A RKO LIBERATION (secção austríaca da CCRI / RCIT) condena este ataque terrorista, Assim como  condenamos o assassinato de civis inocentes. No entanto, ninguém deve cair na armadilha da propaganda governamental. Este incidente não surgiu do nada - é o resultado de anos e décadas de agressão imperialista e opressão racista!

3. O Ministro do Interior austríaco, Karl Nehammer, afirma: “A Áustria é há mais de 75 anos uma democracia forte, uma democracia madura, um país cuja identidade é marcada por valores e direitos fundamentais, como a liberdade de expressão, o estado de direito, mas também à tolerância na convivência humana. O ataque de ontem é um ataque a esses valores.” Que hipocrisia! Os migrantes sempre foram explorados como mão de obra barata e são tratados como cidadãos de segunda classe. O Partido Conservador, ao qual Nehammer pertence, é bem conhecido por suas declarações islamofóbicas. Até o ano passado, ele formou uma coalizão com o FPÖ de extrema direita que usava slogans de campanha como "Daham statt Islam" ("Nossa casa  em vez do Islã"). Há poucos dias, o próprio Nehammer se apressou em expressar seu apoio ao racista e odioso presidente francês Macron e lançou uma “força-tarefa” contra “criminosos chechenos”.

4. É revelador que Macron foi um dos primeiros a declarar sua solidariedade ao governo austríaco na noite passada. Ele escreve no Twitter (em francês e alemão): “Depois da França, um país aliado foi atacado. Esta é a nossa Europa. Nossos inimigos devem saber quem eles estão enfrentando. Não vamos ceder.” Esta é uma declaração cínica, não só porque a Europa de Macron não é a nossa Europa e a sua guerra contra os seus inimigos certamente não é a nossa! É também particularmente cínico porque é o próprio Macron o responsável político pelo ataque de ontem. Como a CCRI declarou em declarações públicas nas últimas semanas, é o ódio islamofóbico de Macron, o seu elogio ao direito de insultar e humilhar os muçulmanos no Charlie Hebdo, sua agressão contra os muçulmanos que causou tais ataques terroristas! Na verdade, Macron quer usar o incidente para reunir a Áustria e toda a UE a apoiar sua campanha chauvinista e militarista contra o mundo muçulmano em geral e contra a Turquia em particular.

5. Além disso, ao contrário da imagem de um “estado neutro”, a classe dominante austríaca não é um ator neutro ou inocente na ofensiva da guerra imperialista mundial. Embora seja um país pequeno, tem apoiado repetidamente as sangrentas operações militares das Grandes Potências. Assim, por exemplo, a Áustria apoiou a ocupação do Afeganistão pela OTAN (e até enviou alguns soldados para lá). Seu exército participa da ocupação francesa do Mali desde 2013. Além disso, a Áustria faz parte da Coalizão Americana contra o Daesh, que foi formada em 2014 para travar a guerra no Iraque e na Síria em 2014. Portanto não é não surpreendentemente, os ataques terroristas desesperados que ocorreram em muitas cidades de países imperialistas (Nova York, Londres, Paris, Bruxelas, Berlim, etc.) também estão ocorrendo na Áustria. Em outras palavras, uma guerra que o estado austríaco ajudou a travar no exterior está se voltando contra o país.

6. Na verdade, o que Viena experimentou na noite passada foi um vislumbre da realidade que milhões de pessoas em Cabul, Bagdá, Gaza, Mogadíscio, Timbuktu, Idlib, Grozny e muitas outras cidades do Sul enfrentam regularmente. Lamentamos as quatro pessoas inocentes que foram mortas ontem à noite em Viena. Mas não podemos esquecer que isso é o resultado do bárbaro assassinato em massa de dezenas e centenas de milhares de pessoas inocentes ao Sul que foram mortas por militares americanos, europeus, israelenses e russos e dos quais não temos conhecimento e definitivamente não vamos chorar menos.

7. Nós alertamos que o governo, uma coalizão de conservadores e o Partido Verde, e a mídia burguesa farão uma campanha histérica contra o "extremismo islâmico". Essa repressão será dirigida principalmente contra os migrantes muçulmanos. Na verdade, essa campanha começou anos atrás, quando o governo fechou várias mesquitas e baniu organizações muçulmanas. Prevemos que essa onda de repressão e propaganda de ódio islamofóbico se acelerarão nas próximas semanas e meses.

8. A RKO LIBERATION (seção austríaca da CCRI) opõe-se fortemente aos planos do governo austríaco de apoiar e participar nessa cruzada islamofóbica de Macron contra o mundo muçulmano. Qualquer apoio às guerras imperialistas e qualquer elogio ao direito de insultar e humilhar os muçulmanos à la Charlie Hebdo  e só poderá e vai levar a mais ataques terroristas! É essencial que todos os trabalhadores e organizações populares na Áustria (e na UE como um todo) deixem claro que não existe uma Áustria, nenhuma Europa, nenhum "nossos valores" . Existe a Áustria deles, a  Europa deles, os  valores deles - e existe a nossa Áustria, a nossa Europa, os nossos valores. Eles - a classe dominante - defendem as guerras imperialistas, as desigualdades sociais e o ódio racista. Nós - trabalhadores e oprimidos - defendemos a solidariedade, o anti-imperialismo e a igualdade! São dois mundos diferentes que estão constantemente em guerra um com o outro!

9. Em tal situação, é crucial defender os irmãos e irmãs muçulmanos e defendê-los contra o ódio islamofóbico e a repressão do Estado. A RKO LIBERATION apela às organizações do movimento operário para que ajudem a construir uma ampla frente única, com as organizações de migrantes, contra a islamofobia e pela defesa dos direitos democráticos.

* Abaixo a islamofobia! Defendam os migrantes muçulmanos contra a repressão!

* Não ao Charlie Hebdo e seu ódio racista!

* Abaixo a campanha chauvinista e militarista de Macron contra o mundo muçulmano!

* Não ao terrorismo individual!

* Derrotar as guerras imperialistas no Afeganistão, Iraque, Síria, Palestina, Somália, Mali, etc. ! Apoie a resistência popular!

 

Também recomendamos aos leitores os seguintes artigos e declarações:

Em Português:

Boicotem a França imperialista e islamofóbica!

https://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/boicotem-a-franca-imperialista-e-islamofobica/

O caráter racista do Charlie Hebdo e da campanha pró-imperialista "Je Suis Charlie"

https://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/racist-charlie-hebdo/

 

França após os ataques em Paris: defender os povos muçulmanos contra as guerras imperialistas, o ódio chauvinista e a repressão!

https://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/paris-attacks/

Em inglês:

Yossi Schwartz: Abaixo a islamofobia na França: "Nós não somos Samuel!", 20 de outubro de 2020, https://www.thecommunists.net/worldwide/europe/down-with-the-islamophobia-in-france/

 

RCIT: França após os ataques em Paris: Defenda o povo muçulmano contra guerras imperialistas, ódio chauvinista e repressão estatal! 9.1.2015, http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/statement-paris-attacks/

 

Michael Pröbsting: O Personagem Racista de Charlie Hebdo e a campanha pró-imperialista "Je Suis Charlie". Solidariedade com o povo muçulmano! NÃO Solidariedade com Charlie Hebdo! 17.1.2015, http://www.thecommunists.net/worldwide/europe/racist-charlie-hebdo/

 

RCIT: Expulse o imperialismo francês da África Ocidental! Macron e seus G5 Lackeys planejam intensificar sua "Operação Barkhane" colonialista, 15 de janeiro de 2020, https://www.thecommunists.net/worldwide/africa-and-middle-east/expel-french-imperialism-from-west-africa/

 

RKOB: Áustria: Racismo islamofóbico em ascensão! Solidariedade com os Irmãos e Irmãs Muçulmanos! Não ao Fechamento de 7 Mesquitas e à Expulsão de 40 Imãs e suas Famílias! 8 de junho de 2018, https://www.thecommunists.net/worldwide/europe/islamophobic-racism-on-the-rise-in-austria/

 

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

ELEIÇÕES NOS EUA: NEM TRUMP NEM BIDEN!

Trabalhadores e oprimidos precisam se organizar e lutar de forma independente!

Declaração da Corrente Comunista Revolucionária Internacional (CCRI/RCIT), 15 de outubro de 2020, www.thecommunists.net

English version:

https://www.thecommunists.net/worldwide/north-america/u-s-election-neither-trump-nor-biden/

1. As próximas eleições nos EUA são diferentes das anteriores. Porém, não é diferente por causa dos dois candidatos presidenciais senis. É diferente devido às circunstâncias em que ocorre. Os EUA experimentam simultaneamente uma decadência dramaticamente acelerada como potência hegemônica global, bem como sua pior crise doméstica desde a guerra civil em 1861-65. Resumindo, as principais características desta crise são:

a) Os EUA estão no meio de uma depressão econômica não vista desde 1929-33, com milhões de pessoas em vão  procurando emprego em vão;

b) Sua classe dominante está profundamente dividida, resultando em uma feroz luta de facções, paralisia e ameaças reais de um golpe de Estado;

c) Washington sofreu uma série de retrocessos e derrotas na política externa resultando, entre outros, em um processo humilhante de retiradas militares do Iraque e do Afeganistão;

d) O país passou por uma revolta popular quando o sádico assassinato de George Floyd pela polícia no final de maio provocou uma onda de manifestações em massa, mais de 750 greves e batalhas de rua em várias cidades.

2. Enfrentando um declínio sem precedentes do capitalismo, a classe dominante nos EUA está profundamente dividida sobre a melhor forma de salvar seu pescoço às custas dos trabalhadores e oprimidos. Trump e Biden, os republicanos e os democratas oferecem rostos e palavras diferentes, mas compartilham a determinação de atacar os direitos sociais e democráticos das massas populares. Ambos são inimigos da classe trabalhadora, Biden não menos que Trump. Em tal situação, é mais urgente do que nunca que os trabalhadores e oprimidos tomem o caminho da luta e organização independente. Tal independência exige a recusa em  apoiar  qualquer candidato e a qualquer partido da classe capitalista dominante. Consequentemente, a Corrente Comunista Revolucionária Internacional (CCRI/RCIT) faz o chamado de que não se vote nem em Trump nem em Biden, nem nos republicanos nem nos democratas, nas próximas eleições.

 

3. As lideranças da AFL-CIO (principal Central de trabalhadores), das organizações de massa dos afrodescendentes e outras minorias dão apoio a Biden e ao partido Democrata, bem como vários grupos de esquerda  também apoiam Biden e os democratas. Alguns o fazem sem crítica; outros o fazem  combinando com a crítica política. Estamos cientes de que, dado o caráter ultrarreacionário, provocador e totalmente estúpido do homem ocupante da Casa Branca, muitos trabalhadores e oprimidos vão votar em Biden - não tanto por apoio a este último, mas como uma tática para expulsar Trump. Embora compartilhemos totalmente seu ódio pelo instigador racista, achamos que votar em Biden e nos democratas é uma tática errada. Trata-se na verdade de um beco sem saída perigoso que impede a criação de uma saída independente de luta para os trabalhadores e oprimidos. No entanto, também é digno de nota e encorajador que setores significativos da vanguarda parecem rejeitar tal lógica eleitoreira.

4. A CCCRI / também rejeita votar em candidatos do Partido Verde como foi defendido no passado por várias forças centristas, tais  como o agora dissolvido International Socialist Organization-ISO ou  a Alternativa Socialista (CWI/ISA). Os verdes são uma força pequeno-burguesa sem raízes entre a classe trabalhadora e sem um histórico de desempenhar qualquer papel sério nas lutas de massa como o atual levante Black Live Matters.

5. É um argumento bem conhecido de vários apoiadores de Bernie Sanders (os senderistas), do ex-estalinista Partido Comunista dos EUA-PCEUA e de alguns ditos “marxistas” afirmar que Biden e os democratas representam o “mal menor”. Isto simplesmente não é verdade. A desigualdade social aumentou dramaticamente nas últimas décadas -  e não menos durante o período de Clinton e Obama do que durante a presidência de Bush e Trump. Nos primeiros três anos de Obama no cargo, cerca de 1,18 milhão de imigrantes foram deportados, enquanto cerca de 800 mil deportações ocorreram sob Trump em seus três anos de presidência. Os assassinatos brutais de negros pela polícia ocorrem nos estados “azuis” (democratas) em números não menos do que nos estados “vermelhos” (republicanos). É certamente verdade que Trump é um provocador extraordinário, reacionário  e vazio. Na verdade, ele é uma espécie de líder disfuncional do capitalismo dos EUA. Não é à toa que mais bilionários fazem doações para a campanha de Biden do que para a de Trump ou - para citar a revista de negócios Forbes - “os bilionários parecem amar Joe Biden”. A presidência de Biden pode ser mais integradora, menos provocativa do que o  atual palhaço. Mas os socialistas não têm razão nenhuma para apoiar uma liderança mais funcional do capitalismo dos EUA! Eles precisam defender um programa mais funcional de luta contra todos os governantes capitalistas!

6. No caso de Trump ganhar a eleição por fraude massiva e intimidação de eleitores, Biden não defenderá uma luta em massa para expulsar o lunático da Casa Branca. Ele fará de tudo para evitar essa tempestade da Bastilha, mas se limitará a apelar para (e esperar) os tribunais. No caso de Biden ganhar as eleições, ele trabalhará duro para pacificar e acabar com o levante popular para que a classe dominante possa continuar descarregando os custos da pior crise do capitalismo nas costas dos trabalhadores e pobres. Em todo caso, Biden é o homem dos bilionários e um obstáculo para a luta das massas populares. Se os socialistas votassem em Biden, eles encorajariam a confiança política neste inimigo do povo e tornariam mais difícil continuar e aprofundar a luta após as eleições.

7. Portanto, a tarefa das forças revolucionárias é explicar pedagogicamente que a luta em defesa de nossos direitos sociais e democráticos deve ser conduzida independentemente de qualquer facção da burguesia. Essa luta deve acontecer, antes de mais nada, nas ruas, nos locais de trabalho e nos bairros. Para isso é urgente a construção de assembleias populares e comitês de ação nos locais de trabalho, bairros, escolas e universidades. Esses comitês devem decidir sobre as demandas e a organização de ações. Devem também eleger delegados para que haja uma coordenação regional e nacional. Da mesma forma, é necessário construir comitês de autodefesa armados para defender os trabalhadores e oprimidos contra o inimigo de azul (os policiais) e para expulsar ao máximo a polícia e os agitadores de direita dos bairros.

8. Mais importante ainda, os revolucionários deveriam defender a criação de um partido operário independente baseado em organizações de massa da classe trabalhadora e dos oprimidos. Tal partido permaneceria completamente independente de ambos os partidos do establishment capitalista - tanto os republicanos quanto os democratas. Chamamos sindicalistas, partidários de Sanders e do DSA para romper com o Partido Democrata e unir forças na construção de tal novo Partido Trabalhista. Os revolucionários defendem um programa de luta para tal partido, visando a criação de um governo dos trabalhadores que exproprie os super-ricos e nacionalize os setores centrais da economia sob o controle dos trabalhadores. A CCRI quer unir ativistas revolucionários com base nesse programa! Junte-se a nós!

 

Secretariado  Internacional da CCRI/RCIT

 

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A CCRI publicou uma série de documentos sobre a revolta popular nos EUA que são compilados em uma sub-página especial em nosso site:

https://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/derrotar-as-gangues-paramilitares-de-trump/

https://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/armar-as-massas-populares-ou-reformar-a-policia/

https://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/estados-unidos-esta-surgindo-uma-contra-revolucao-sangrenta/

https://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/uma-situacao-pre-revolucionaria-se-abriu-nos-eua/

https://www.thecommunists.net/home/portugu%C3%AAs/eua-justi%C3%A7a-para-george-floyd/

Em inglês: https://www.thecommunists.net/worldwide/north-america/articles-on-uprising-after-murder-of-george-floyd/.